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André e Bruno Santos ecoam a musicalidade madeirense em Lisboa

Nesta pequena entrevista, os guitarristas falam sobre a criação do Disco de Natal, de projetos futuros, a paixão pela carreira artística, entre outras coisas.

Pisaram o palco do Teatro Municipal Baltazar Dias no início deste mês para apresentar o Disco de Natal, na época do ano mais especial para os madeirenses. Mano a Mano, a dupla formada por André e Bruno Santos esgotou rapidamente a primeira sessão do concerto, e houve, assim, mais uma para saciar a vontade do público em ver, ouvir e sentir o conjunto de canções de Natal interpretadas com duas guitarras, com arranjos originais jazzísticos. Na semana passada foi a vez dos guitarristas ilhéus mostrarem a sua mais recente criação no Teatro Vilaret, em Lisboa, onde ambos vivem.

Nesta pequena entrevista, falam sobre a elaboração deste disco, de projetos futuros, a paixão pela carreira artística, entre outras coisas. A primeira pergunta foi replicada das ‘lives’ de Facebook que André Santos fez durante a quarentena, intitulada “Cordas Soltas”, em que numa conversa leve e divertida discutia música e cultura com outros artistas.

Lembram-se da primeira vez que tocaram guitarra?

André Santos Eu tenho uma vaga memória de receber uma guitarra num Natal, quando tinha oito anos. E lembro-me de começar a explorar esse novo brinquedo.

Bruno Santos Não me lembro da primeira, mas tenho memórias das primeiras, em que o André tocava há muito pouco tempo. Mas lembro-me bem do primeiro concerto mais a sério, que aliás está gravado. Há 10 anos, ou um pouco mais.

Sempre souberam que queriam seguir a carreira artística?

AS – Sempre sempre, não. Foi algo que foi crescendo e ganhando cada vez mais importância. Por volta dos 15 anos já começava a ter a certeza. Aos 18 ainda mais. E quando comecei a praticar e a levar a música mais a sério, não tive dúvidas nenhumas.

BS – Acho que percebi e decidi com 20 anos, mais coisa menos coisa. Queria muito ser músico deste o primeiro momento em que toquei, mas saber e decidir que assim seria, foi por volta dessa idade. Apesar de ter optado por fazer aquilo que gosto, não deixou de ser uma decisão difícil. Mais pela coisa de assumir a responsabilidade de optar por uma solução menos consensual para a vida profissional. Mas sempre com apoio total dos meus pais. Importante e justo realçar.

Como foi o processo criativo que deu origem ao disco que estrearam no Baltazar Dias?

AS – Foi muito simples e natural. Primeiro houve uma pesquisa de repertório e depois, a partir de setembro, começámos a fazer um encontro semanal para trabalhar e experimentar os arranjos das canções. Mais perto da gravação (outubro) aumentámos a frequência dos encontros e gravámos tudo em dia e meio.

BS – Foi muito natural. Temos processos parecidos e rotinas de trabalho semelhantes. E acima disso tudo, temos uma visão coletiva, o que nos permite perseguir ideias e metas sem grande sacrifício, no pior sentido que esta palavra pode ter. É sem esforço, mas com trabalho de pesquisa, experimentação e horas juntos a tomar decisões musicais até sentirmos que chegámos a um sítio, sem o trauma ou obsessão de buscar soluções perfeitas, porque não existem. Lidamos bem com isso.

Como tem sido a receção no continente às sonoridades típicas madeirenses?

AS – Muito boa. Toda a gente adora os cordofones. E ficam sempre surpreendidos por descobrirem certas pérolas do repertório tradicional madeirense. Às vezes partem do pressuposto que um instrumento tão pequeno é limitado. Mas a verdade é que é possível fazer (quase) tudo em qualquer instrumento. E é isso que tentamos mostrar.

BS – Muito boa. Não querem outra coisa!

Com quem gostariam ainda de partilhar o palco e que ainda não tiveram a oportunidade?

AS – Essa é difícil. Há muita gente com quem gostaria de partilhar o palco ou pelo menos uma sala de estar, tocar um pouco, falar sobre música, trocar impressões e ser inspirado. Alguns nomes que me surgem assim de repente: Bill Frisell, Silvia Pérez Cruz, Lula Pena, Caetano Veloso, Djavan, João Bosco, Sérgio Godinho, Vitorino… há muitos. Há muitas pessoas que gosto de ouvir e que me imagino a tocar com elas. Algumas já se têm concretizado, umas vão ao encontro da expetativa e outras nem sempre são exatamente o que imaginámos. É deixar que as coisas vão acontecendo naturalmente.

BS – Os meus heróis ou ídolos já lá vão. Com a idade isso acaba por desaparecer. Alguns dos meus heróis surpreenderam-me pela negativa, outros o inverso e assim a idade vai mostrando que somos todos feitos do mesmo e super-heróis só na banda desenhada. Sinto-me feliz e orgulhoso por ter partilhado palcos com tantos grandes músicos. Esses são os que contam. E os que ainda hão de vir, de forma natural.

Como viveram os tempos de confinamento? Foi uma altura de inspiração para vocês?

AS – Inspiração, não necessariamente. Foi mais um tempo de reflexão. Paragem. Pôr várias coisas em perspetiva. Descobrir coisas novas. Pensar e repensar. Mas não podemos deixar cair os braços e continuar a criar, praticar, evoluir.

BS – Inspiração não diria, mas permitiu e obrigou-nos a buscar outras coisas. Nem tudo é mau, mesmo no cenário mais catastrófico. Mas artisticamente e financeiramente foi e continua a ser duro.

Que projetos futuros podemos esperar dos Mano a Mano?

AS – Há tantas coisas que imagino. Desde repertório específico como foi o caso do Disco de Natal, desde gravarmos com orquestra (seja de Jazz, Clássica ou uma orquestra de cordofones madeirenses) ou com vários convidados especiais. Há uma infinidade de possibilidades que queremos explorar.

BS – Com este Disco de Natal diria que abrimos a porta para tudo e mais alguma coisa. Mas acho que para quem nos conhece bem, reconhecerá sempre o nosso som e identidade seja com originais, temas de natal ou carnaval.

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