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Lojas da Cidade: Fábrica Santo António perfuma a rua há 127 anos

Na rua da Travessa do Forno, no Funchal, quando a Fábrica de Santo António está a laborar é impossível ficar indiferente ao cheiro que emana para a rua e que nos remete de imediato para a infância. 

Afinal são já 127 anos de existência que contam muitas histórias e memórias. 

A Fábrica de Santo António pertence, no fundo, aos madeirenses em geral e aos funchalenses em particular. O Funchal.pt mergulhou no interior desta tão conhecida empresa da nossa cidade para contar a sua história. Foi inaugurada em 1893 por Francisco Roque Gomes da Silva e surge na Madeira como a primeira fábrica de bolachas e biscoitos.

Os produtos mais conhecidos e solidificados no mercado são a bolacha maria, a broa de mel e coco e os rebuçados de funcho ou eucalipto, conforme nos desvenda Bruno Vieira, administrador da Fábrica de Santo António.

Nos comandos  da empresa há seis anos, mas já com 10 de casa, conta-nos que a Fábrica sempre laborou no mesmo edifício e que permanece com a mesma essência. Com mais de um século de existência não é fácil manter viva a alma do negócio, sobretudo quando o mundo mudou tanto, a um ritmo frenético. Ainda assim, a Fábrica de Santo António continua a existir com a mesma qualidade e o segredo é só um: manter viva a identidade e os sabores tradicionais madeirenses, sem abdicar da evolução dos tempos. 

“É uma característica nossa. Somos a única fábrica do ramo no centro do Funchal. Fazemos parte da cidade viva. Quando temos os fornos a trabalhar perfumamos as ruas”, explica com orgulho Bruno Vieira. 

Mas não só do passado vive esta icónica loja, que exala a canela e a mel assim que entramos neste espaço.

Por exemplo, no que toca aos típicos rebuçados de funcho e eucalipto, hoje podemos encontrar outros sabores como o gengibre, mel de cana ou de abelha, maracujá, manga, tangerina e banana. Já no que toca às broas, a empresa lançou uma nova panóplia de sabores e sensações. Há broas de gengibre, avelã, maracujá, aveia, chocolate, ou amêndoa, entre outros. Esta nova experiência para o paladar surge como uma forma de conquistar um público mais jovem. “Tentámos ir ao encontro destas novas gerações. Temos tido uma enorme procura e crescimento da nova gama”, justifica o administrador.

Neste aspeto, Bruno Vieira sublinha que a estratégia é inovar sem nunca descurar a génese deste espaço. “Apostamos na qualidade e nos processos tradicionais artesanais. A empresa, na última década, sofreu uma transformação de dentro para fora. Nos últimos anos temos vindo a fazer melhoramentos e a modernizar, mas mantemos o tradicional”, sublinha o empresário.

Outros produtos com grande procura são as compotas de doce com frutos da região, ou a marmelada. De referir que, todos os clientes têm a oportunidade de provar os produtos antes de os adquirir. E falando em clientela, antes da pandemia se instalar, não era fácil discernir se os consumidores eram na sua maioria madeirenses ou estrangeiros. Agora não restam dúvidas. “A conclusão que chegamos é que o nosso principal cliente é o madeirense, e é fiel ao produto regional. O madeirense acaba por olhar para a Fábrica como algo muito seu. É algo que sentimos e que nos motiva, esse carinho”, vinca Bruno Vieira.

Durante sensivelmente dois meses em que a loja se encontrava encerrada, a Fábrica Santo António laborou para os pontos de distribuição, nomeadamente as grandes superfícies. 

Satisfeitos por estarem de portas abertas, os cerca de 20 funcionários que compõem a orquestra da Fábrica de Santo António não perdem a oportunidade para contar a história da região a quem nos visita. De momento, Bruno Vieira explica que o turismo nacional foi sem dúvida um balão de oxigénio para esta empresa, e o que mais comprou na Fábrica Santo António nos últimos tempos. Contudo, antes da crise pandémica, os turistas que visitam e compram na loja eram sobretudo oriundos do Reino Unido, França e  Espanha.

Por fim, Bruno Vieira conta-nos o porquê da sua paixão na gestão deste negócio.

“A minha maior satisfação é a aura da Fábrica de Santo António. Tenho orgulho em representar uma empresa tão histórica para a Região. Trabalhamos com muita alma e sentido de missão. É muito importante que a Fábrica de Santo António continue para o futuro e trabalhamos para criar bases para que essa continuidade surja”.

 

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