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Lojas da Cidade: Loja Gonzalez é um legado familiar há 40 anos

A Loja Gonzalez, ou Loja das Velhinhas como também é carinhosamente conhecida no Funchal, faz parte da cidade há cerca de 150 anos.

A Loja Gonzalez, ou Loja das Velhinhas como também é carinhosamente conhecida no Funchal, faz parte da cidade há cerca de 150 anos.

De início pertencia a um senhor espanhol, que viajava pela ilha como vendedor ambulante, e usava o espaço como armazém. 

Susana Torra é quem nos narra o percurso histórico deste negócio, que administra juntamente com o marido Norberto Torra. Diz-nos que o pai comprou a loja há cerca de 40 anos, na altura em que pertencia às suas duas irmãs e à cunhada, e foi aí que ficou conhecida como a Loja das Velhinhas. 

Susana Torra cresceu neste estabelecimento, no meio de botões, bordado suíço, rendas, fechos, linhas, no fundo uma panóplia de artigos de retrosaria que lhe ficou no sangue e que carrega na alma. É um legado que se orgulha de perpetuar.

“O meu pai quando comprou a loja fez uma promessa de que enquanto pudesse manteria a loja. E aqui vamos nós”, explica.

A loja mantém a mesma identidade desde o início. A única coisa que se alterou foi o balcão e, há cerca de sete anos, ampliaram o espaço.

Até as funcionárias são também parte deste percurso que transborda a história, tradição e identidade. É o caso de Lília Vieira, que conta já com 32 anos de casa. A funcionária mostra entusiasmada os fechos finos, grossos, os botões de massa, de pérola ou de metal. “Aqui somos uma família”, afirma sorridente.

“Temos aqui um ambiente familiar. Passamos aqui muito tempo. Nós vamos para casa vamos só para dormir. A verdade é esta”, corrobora a patroa. 

No que toca à estratégia de negócio, Susana Torra explica que o segredo é o atendimento personalizado ao cliente. “A funcionária que está no balcão conta muito. Os nossos problemas deixamos à porta. Aqui temos de estar com sorriso, mesmo quando custa. O cliente não tem culpa dos nossos problemas”. 

Com efeito, é o “bom serviço” a seiva que faz com que este negócio continue a florescer ao longo de tantos anos. “Até os clientes já tratamos como se fossem família. Todos os dias há clientes novos mas a maior parte são de há muitos anos. A minha alegria é ver o cliente sair satisfeito. É o mais importante. E assim sei que amanhã voltará a comprar aqui”.

Apesar dos tempos incertos e difíceis que, em especial os pequenos comerciantes enfrentam, Susana Torra aos poucos vai sentindo a retoma no negócio. Não nega que os meses em que estiveram de portas fechadas foram duros e que vivem agora uma altura de sacrifício e contenção. Contudo, a boa-disposição e o carinho que devotam aos clientes permanece. De momento, dos artigos mais procurados, devido à pandemia covid-19, são os elásticos para as máscaras e o tecido ao algodão.

Por fim, Susana Torra fala sobre o futuro. Não sabe se alguém da sua família continuará ou não o negócio, mas teme que não. Tem um filho na casa dos 20 anos a estudar Engenharia e outro ainda pequeno. Ainda assim não esconde a alegria que teria se soubesse que o legado da sua família passou para a geração dos seus filhos.

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