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Rostos da Cidade: Humberto Andrade, o eterno apaixonado pelo Teatro Baltazar Dias

São 34 anos de entrega à casa da Cultura.

Humberto Andrade trabalha há 34 anos no Teatro Baltazar Dias, e é apaixonado pelo que faz. Hoje aos 57 está encarregado da manutenção deste emblemático espaço cultural da nossa Cidade e não se imagina a desempenhar outra função que não esta. 

Ao falar sobre as suas tarefas diárias, os seus olhos verdes, grandes e expressivos, deixavam transparecer a alegria e o entusiasmo que sente pela sua profissão.

“Já são muitos anos. É uma vida cá dentro”, conta-nos emocionado. As lágrimas rapidamente começaram a escorrer quando fez uma retrospetiva sobre as décadas que já dedica a este Teatro, tão seu, e lembrou-se, imediatamente, ao percorrer o labirinto da memória, de colegas que já partiram, com quem partilhou o ‘palco’ da vida e do trabalho. Após conseguir recompor-se, e secar as lágrimas, começou a relatar-nos o início de tudo.

Entrou para a Câmara Municipal do Funchal como cantoneiro, quando tinha 20 e poucos anos e logo depois foi requisitado para o esplendoroso Teatro Baltazar Dias. São tantos anos, tantas histórias, tantas personagens, que nem se lembrava ao certo que idade tinha quando começou a desempenhar funções naquela que é a sua casa, o seu abrigo, e o seu reduto. 

Conhece esta casa da Cultura como a palma da sua mão e orgulha-se disso. Não perde a oportunidade de mostrar os recantos do Teatro e de narrar os bastidores.

“Tenho prazer em trabalhar aqui. Sempre gostei de ver peças. Tive a oportunidade, ao longo de tantos anos, de trabalhar com várias companhias.. Internacionais, nacionais, regionais e até com grupos amadores”, afirma Humberto Andrade, explicando aquilo que lhe agrada mais na sua profissão. 

Em mais de três décadas de serviço, é assertivo em dizer que são precisamente as companhias mais pequenas que tem mais vontade de ajudar e dar o seu melhor. “Por um lado ou por outro temos mesmo que ajudá-las! Mesmo que não tenham possibilidades para fazer um cenário, nós tentamos ajudar e construir. Fazemos o melhor”, realça.

É, assim, com muito afinco, dedicação e sobretudo com responsabilidade, que se levanta da cama todos os dias, em nome da Cultura, para trabalhar no Teatro Baltazar Dias. Admite que o seu trabalho tem de ser feito com muita seriedade uma vez que os cenários têm de estar certos, a tempo e horas. O espectador está sentado para ver uma obra de arte, e como tal, “chega a uma altura da cena em que sobe um cenário e desce o outro, e tem que bater tudo certo”. 

Ao longo de tantos anos revela que uma das peças que mais gostou foi a “Já chegámos à Madeira”, de Tozé Martinho e Preciosas Ridículas do Teatro Experimental do Funchal (TEF), com a direção artística de Eduardo Luís. Em relação a esta última peça, Humberto Andrade conta-nos que foram precisas “quase 48 horas de trabalho” ininterruptas para que ficasse tudo pronto a tempo do espetáculo. Mas isso não interessa nada, confessa indiretamente a sua voz. O que é importante é que esteja tudo a postos para que o espetador possa fruir do espetáculo.

O funcionário adianta ainda que gosta muito de ver as orquestras em palco. É um homem sensível e de Cultura, sem sombra de dúvida. E tem acompanhado de perto, nos bastidores, o panorama cultural dos últimos 34 anos. 

Recorda com muita emoção o 11 de fevereiro de 2010. “Guardava os programas de todos os espetáculos no meu cacifo. Com o temporal fiquei sem nada”, narra, acusando tristeza na suas palavras, salientado que foi dos episódios mais marcantes da sua vida. Ainda se emociona, 11 anos depois ao falar sobre o fatídico dia.

Ainda assim, apesar da intempérie, acompanhado por um colega, entrou no Teatro, com “água pelo pescoço”, para tentar salvar o que fosse possível. “Infelizmente não conseguimos fazer grande coisa e fomos retirados pela Proteção Civil. 

Assim perdeu as memórias físicas de tantos espetáculos. Contudo, ficou tudo gravado na memória, e no seu coração, aquilo que viveu. 

Por fim, conta-nos ainda que embora esteja hoje em dia a trabalhar na manutenção, a sua grande paixão sempre foram os trabalhos que envolviam o palco. Todavia, devido a um acidente e também “à idade” já não se dedica com a frequência que gostaria a essas funções. Transferiu esse sentimento para a carpintaria, pintura, e outras tarefas, noutras partes do Teatro. Onde for preciso ele lá estará, para manter a casa de Cultura, que é sua, e de todos os madeirenses, de pé, e com a excelência de sempre.

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